Chiller Industrial Usado
Avaliar um chiller industrial usado é um exercício de auditoria técnica, e não de estimativa por idade. Dois equipamentos fabricados no mesmo ano podem estar em estados completamente diferentes, dependendo de como foram operados, do que foi mantido e do que foi negligenciado. A data no manual não informa quase nada; os exames abaixo informam quase tudo.
Nenhum deles exige laboratório próprio, e nenhum é caro diante do valor do equipamento. O que os torna raros não é o custo: é que exigem que a inspeção seja feita com o equipamento operando sob carga, e não parado no pátio.
Análise laboratorial do óleo: o exame de maior valor preditivo
Uma amostra do óleo do compressor enviada a laboratório responde três perguntas que nenhuma inspeção visual responde.
O número de neutralização — a acidez do óleo, expressa em miligramas de hidróxido de potássio por grama — indica degradação térmica do lubrificante e do isolamento do motor. Acidez elevada é a assinatura de um evento térmico já ocorrido: operação prolongada com carga de refrigerante baixa, sobreaquecimento de descarga, ou compressor que queimou anteriormente. É a informação mais importante da auditoria, porque um circuito com óleo ácido compromete qualquer compressor novo instalado nele — o reparo, nesse caso, não é a troca do componente, é a troca somada à limpeza do circuito, com substituição de filtros e evacuação prolongada.
O teor de umidade, em partes por milhão, indica entrada de ar, falha do filtro secador ou abertura prolongada do circuito. Umidade no sistema forma ácidos na presença de calor, o que fecha o ciclo com o item anterior.
Os metais de desgaste, identificados por espectrometria, indicam desgaste mecânico em curso, e a proporção entre eles aponta qual parte do compressor está se desgastando. É o que distingue um compressor com anos de vida útil à frente de um que está no fim, sem abrir o equipamento.
Medições elétricas e a tendência que importa
A resistência de isolamento dos enrolamentos, medida com megôhmetro e com o compressor eletricamente isolado, avalia a condição do isolamento do motor. O valor absoluto informa menos do que se imagina: o que tem poder preditivo é a tendência ao longo de um histórico, e em equipamento usado sem histórico o valor serve como ponto de partida para as medições futuras.
A corrente em operação, medida por fase e comparada à nominal para as condições de trabalho do momento, mostra se o compressor está trabalhando contra alguma coisa: condensação alta por sujeira ou incondensáveis, carga de refrigerante incorreta, desgaste interno. O desequilíbrio entre fases é um achado próprio, com causa fora do compressor — alimentação, contator com contato degradado — e que precisa ser corrigido antes de o equipamento entrar em operação.
Vale também verificar o número de partidas acumuladas, quando o controlador registra. Um chiller que operou em circuito com pouco volume de inércia, ciclando com frequência, tem um desgaste que as horas de operação não revelam — e o histórico de partidas é o dado que expõe isso.
Estanqueidade e incondensáveis
Vazamento de refrigerante é o problema crônico mais comum em equipamento usado e o mais sujeito a paliativo. A verificação precisa ser feita com o sistema pressurizado e com detector eletrônico, não por inspeção visual nem por observação de nível em visor.
Um chiller que perde carga lentamente opera com capacidade reduzida e sobreaquecimento do compressor, porque o vapor de retorno não resfria o motor o suficiente. Completar a carga sem localizar o vazamento faz o equipamento operar meses nessa condição, degradando óleo e isolamento — e o resultado aparece justamente na análise de óleo descrita acima. Um histórico de recargas sucessivas sem localização de vazamento é, por si, um achado relevante.
Há um exame complementar que revela outro problema com sintoma parecido. Gases incondensáveis no circuito — ar que entrou por vazamento, abertura do sistema ou evacuação insuficiente — ocupam parte do volume do condensador e elevam a pressão de descarga sem que haja depósito nos tubos. A distinção se faz com o equipamento parado e termicamente estabilizado: comparando a pressão do condensador com a pressão de saturação correspondente à temperatura ambiente, uma pressão acima do esperado indica incondensáveis.
Aproximação e integridade dos trocadores
A capacidade de um chiller usado quase nunca é limitada pelo compressor: é limitada pela troca térmica. A medição que quantifica isso é a temperatura de aproximação — no evaporador, a diferença entre a água gelada que sai e a temperatura de saturação correspondente à pressão de sucção; no condensador, a diferença entre a temperatura de condensação e o fluido que entra.
Comparada ao valor de projeto do equipamento, essa medição diz quanto da capacidade original foi perdido por incrustação, sujeira ou óleo acumulado no lado do refrigerante — que forma um filme isolante nas superfícies de troca. Boa parte dessa perda é recuperável: limpeza química para depósitos de carbonatos, mecânica para sólidos e biofilme. É justamente esse trabalho que separa um equipamento revisado de um equipamento apenas revendido.
Há uma parte que não é recuperável, e ela precisa ser verificada antes da compra. Água com sólidos em suspensão em velocidade elevada erode as paredes dos tubos, e água mal tratada corrói. Em trocadores casco e tubo, o ensaio por correntes parasitas mede a espessura de parede remanescente e localiza tubos comprometidos — é o exame que estabelece, de forma objetiva, se a limpeza resolve ou se o feixe está no fim. Um número limitado de tubos pode ser tamponado, com perda proporcional de capacidade; quando o número é significativo, a substituição do feixe muda a conta da aquisição.
Peças de reposição: a verificação que evita surpresa em três anos
Um chiller mecanicamente saudável cuja placa de controle está fora de linha é um equipamento com prazo de validade, e essa informação não aparece em nenhuma inspeção mecânica.
A verificação é direta: confirmar a disponibilidade de peças para o modelo, com atenção especial aos componentes de controle e aos sensores proprietários. Em muitos casos, a resposta correta não é descartar o equipamento, e sim prever um retrofit de controle — troca-se a inteligência por uma plataforma com peças disponíveis, frequentemente com variação de capacidade que o equipamento original não tinha, o que reduz o consumo e estabiliza a temperatura entregue. O ponto é que essa decisão precisa entrar no orçamento na hora da compra, e não três anos depois.
Adequação: o exame que anula todos os outros
Toda essa auditoria pode confirmar um equipamento em bom estado e ainda assim inadequado. Um chiller usado em boas condições, com capacidade acima da carga do seu processo, vai ciclar, consumir mais por tonelada removida e desgastar componentes — os mesmos problemas de um equipamento novo sobredimensionado.
A verificação de adequação tem quatro itens. A capacidade corresponde à carga térmica medida: em instalação existente, para água, cada metro cúbico por hora de vazão com um kelvin de diferencial de temperatura entre retorno e saída corresponde a aproximadamente 1,16 kW removidos, e o total em kW dividido por 3,517 dá a capacidade em toneladas de refrigeração. A temperatura de saída atende a exigência do processo — e abaixo de aproximadamente 5 °C o circuito exige solução de água e glicol, com correção de capacidade e de perda de carga pela tabela do fluido. O tipo de condensação é compatível com o local, com afastamento adequado para descarga do ar quente em condensação a ar. E o circuito existente entrega a vazão que o evaporador precisa, na faixa em que ele foi selecionado.
Um chiller usado adequado vale mais que um chiller novo inadequado, e essa comparação é frequente na prática.
Chillers industriais usados na Controlcal
A Controlcal trabalha há mais de quarenta anos com sistemas de água gelada e climatização industrial, em São Paulo, com base na Mooca, e os equipamentos que fornecemos passam por essa auditoria antes de sair: análise laboratorial do óleo, medições elétricas, verificação de estanqueidade com detector eletrônico e sistema pressurizado, medição das aproximações, verificação da integridade dos trocadores e teste de desempenho sob carga com as medições registradas. Saem com garantia e com assistência técnica de quem executou a revisão.
A economia frente a um equivalente novo chega à metade do valor, e a disponibilidade é imediata — o equipamento está pronto para instalação, sem prazo de fabricação. Fornecemos para venda, locação ou permuta, e a permuta resolve também a destinação do equipamento que sai. Antes de indicar qualquer unidade, medimos a carga térmica e a temperatura exigida no seu processo.
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